Perigo de Extinção

 

SOS Charretinhas

 

As charretes sempre foram uma das características mais marcantes de Campos do Jordão.    

     Inclusive os principais cadernos de turismo dos grandes jornais, sempre que mostram a estância, invariavelmente estampam na capa as tradicionais fotos dos cavalos e das charretes de aluguel, que até três anos atrás ficavam todas amontoadas no teleférico.

     Face à total falta de infra-estrutura do local, a prefeitura as transferiu para uma área particular, onde anos atrás funcionou a cantina Sole Mio. Já naquela época, o local exibia sinais claros de abandono. A situação é ainda mais grave, uma vez que a instalação das charretes ocorreu sem a concordância plena do dono. Legalmente, o proprietário pode requerer a posse do terreno a qualquer momento.

Apesar da consolidação das charretes como uma das atrações da cidade, até hoje não se criou um pólo devidamente estruturado, que amparasse a atividade dos charreteiros (o camposdojordao.com levantou que a arquiteta Marília Richieri – a Lica – desenvolveu um projeto que contempla o ponto atual das charretes com itens básicos e tem potencial para converter a área num atrativo turístico).

Abandono

      O fato é que a situação das charretes é de abandono total e a atividade corre o risco de desaparecer. A construção da antiga pizzaria que, ao mesmo tempo, deveria ser ponto de apoio aos charreteiros e centro de recepção aos turistas, encontra-se parcialmente soterrada. Faltam pontos de iluminação, o piso está deteriorado e banheiros não funcionam.

      Do lado externo sequer há um cocho. Face à inexistência de calçamento adequado, freqüentemente o local fica tomado pelo barro e mau cheiro.

      O presidente do Comtur, Hamilton Souza (veja depoimento abaixo), lembra que as charretes constituem algo típico da montanha e os turistas querem vê-las circulando. Mas para isso os charreteiros precisam de uma estrutura mínima que compreenda baias, um local exclusivo para guardarem os arreios e até uma área de espera, onde o turista possa se sentir confortável.

      Essa etapa deve prever também charretes estrutura mínima que compreenda baias, um local exclusivo para guardarem os arreios e até uma área de espera, onde o turista possa se sentir confortável.

      Essa etapa deve prever também charretes devidamente estilizadas, animais vistosos, elaboração de um regulamento e até a confecção de uniformes para os charreteiros – são sugestões dadas por pessoas com quem a reportagem conversou (veja abaixo).  

 

Centro Hípico

 

     Diante do cenário desolador, a arquiteta Lica elaborou por conta própria um projeto para dar ao local a aparência de um centro hípico. Num lado da propriedade ficariam os cavalos. No outro, as charretes.

     Uma vez configurado como Centro Hípico, o local teria guarita, estacionamento para os carros, as charretes ficariam uma ao lado da outra, haveria tratamento paisagístico, parquinho infantil, baias para cuidados veterinários e uma estrutura de apoio ao turista, com banheiros, bar e  lounge panorâmico.

     Existe a possibilidade do projeto ganhar uma readaptação, para ser implantado em outro local.

     Os charreteiros – são 10 – criaram até uma associação e elegeram um presidente, Benedito Rodrigues.  “Muitos turistas me conhecem há anos e quando eles vêm passear na cidade, me procuram para dar um volta de charrete”, diz. Benedito diz que trabalha há 30 anos como charreteiro. É coma renda gerada por essa atividade, que ele sustenta a família.

     Face à importância desse segmento para o cenário turístico da estância, o camposdojordao.com entrevistou seis pessoas, para saber a opinião delas sobre as charretes. Foram ouvidos o  presidente do Comtur (Conselho Municipal de Turism), o advogado Hamilton Dias de Souza, o secretário de Turismo, Luiz Goshima, o presidente do Convention Bureau. Hans Otto Tuabe, o presidente da Câmara, Ricardo Malaquias, a dona do hotel Frontenac, Vera Duarte e o secretário de Serviços Públicos, Ismael da Luz. Todos se reportaram às charretes, como parte da identidade de Campos do Jordão. Veja os depoimentos:

 

Hamilton Dias de Souza: “ Freqüento Campos há 50 anos e posso dizer que as charretes fazem parte das características da cidade. É algo típico da montanha e as pessoas esperam vê-las circulando. Trata-se de um esporte típico de serra. Além do mais, Campos faz um apelo ao campo e os passeios a cavalo e de charrete se encaixam nesse contexto. Não creio que se elas tiverem que se afastar um pouco do centro, atrapalhe a atividade. Seria até uma oportunidade para se criar em volta, atividades turísticas complementares”.

 

Luiz Goshima: “As charretes têm que ficar onde haja fluxo de turistas, de preferência não muito longe do centro. As imediações da Ducha ou o Véu da Noiva seria uma segunda opção. Acho também que os charreteiros poderiam trabalhar melhor o marketing deles,  divulgando-se junto ao receptivo da cidade, nas lojas do Capivari, nos hotéis. Na minha opinião, falta a eles trabalhar melhor a marca “charreteiro”. Embora sejam gentis no atendimento, dá para colocar um pouco mais de pompa na atividade”.

 

Hans Otto Tuabe: “ A charrete é um produto de Campos do Jordão, faz parte da paisagem e das opções de passeio. Muitos hotéis as indicam por achá-las charmosas. Trata-se de um produto excelente mas que se ressente de uma formatação adequada. Elas deveriam constar da lista de opções dos hotéis, mas antes é preciso que se faça uma regulamentação. É importante, por exemplo, que haja um trajeto pré-definido para os passeios”.

 

Ricardo Malaquias: “É uma atividade que tem tudo a ver com a montanha. Os turistas que têm maiores recursos procuram os haras, mas a grande maioria vai atrás dos cavalos e das charretes. A Câmara, claro, tem força para pedir ao prefeito que auxilie os charreteiros com uma estrutura mínima. Mas eles têm que fazer a parte deles: deixar as charretes bonitas, os cavalos bem cuidados, apresentarem-se barbeados e talvez até usar uniforme”.

 

Vera Duarte: “Embora não me lembre que algum hóspede do Frontenac tenha, alguma vez, requisitado uma charrete, acho que se trata de um produto interessante, especialmente para a pessoa que a escolheu para se divertir. Também acho que as charretes devem estar no caminho do turista, isto é, na região do Capivari. A mim agrada o modelo de charretes de Nova Iorque. Se tivéssemos um produto semelhante, a cidade iria ganhar muito”.

 

Ismael da Luz: “As charretes são essenciais para o turismo de Campos do Jordão, todo mundo gosta. Falo como hoteleiro e cidadão. Se  tiverem que sair do terreno atual, vamos encontrar uma outra área. No começo ninguém concordou com o ponto que a prefeitura escolheu. Depois todo mundo se acostumou. O importante é divulgar bem. E se houver mesmo a necessidade um outro local, ele pode até se firmar como ponto turístico”.

 

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